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domingo, 19 de dezembro de 2010

A VIDA É UMA DÁDIVA?


Se você estivesse no umbral da criação e tivesse a oportunidade de escolher se gostaria de nascer neste mundo um dia, para aqui existir na brevidade de alguns anos e depois sentir o gosto amargo de ter que partir para sempre, ou, seguir sendo infinito e não participar dessa criação incrível, deste fantástico mundo perceptível, não experimentar absolutamente nada, o que você escolheria? Pense bem: se aqui não viver numa espécie humana, finitamente, não precisará carregar consigo o peso de, num dia qualquer, de súbito, ser tomado de  sua vida particular: das pessoas que amou, dos vínculos que construiu, das coisas que aqui conquistou; ter que abandonar tudo, e simplesmente cair no esquecimento. Ademais, não sabemos se a alma poderá se lembrar de quem ela era? Pois quando se morre, o máximo que se pode ter certeza é de que viramos hipótese. Lembre-se: se você não tiver uma vida não terá problema em perdê-la de uma hora pra outra.   Por outro lado, talvez as adversidades, dilemas e prazeres dessa vida mortal seja uma existência que valha mais a pena do que a contemplação eterna da criação. E aí, o que você me diz?