Na Antiguidade, o homem atribuía ao sobrenatural toda sorte de fenômenos, aos quais não sabia explicar ou dar uma causa lógica, isto é, para os eventos que transpunham o saber humano da época, este homem criava um mito. O mito era passado de geração à geração com a importante função de ocupar uma lacuna do conhecimento. Dessa forma, o fenômeno da chuva já foi tido como algo sobrenatural. Afirmava-se por exemplo: "os anões roubaram o martelo de Thor outra vez. Rezemos para que o deus Thor acumule forças e recupere seu poderoso martelo, antes que as chuvas destruam nossas plantações". Assim foi, até que alguns, como Tales de Mileto (um dos primeiros filósofos que temos notícia), ousaram questionar, buscando respostas mais convincentes para as transformações do mundo natural. Isso foi o precedente de toda a Ciência. E, a partir dela, muitos mitos como esse foram sendo deixados para trás. Por outro lado, o homem de hoje, ainda se depara com fatos e coisas, às quais não consegue explicar racionalmente, e a esses eventos imputa-lhe o título de "sobrenatural".
De certo, são muitos os nomes: psicografia, telepatia, necromancia, levitação, adivinhação, paranormalidade e muito mais, que misturados a sonhos, acontecimentos casuais e coincidências, são postos em conjecturas como "experiência do além" ou "obra dos anjos". Diante disso, perguntamos: "o que é sobrenatural?" Podemos classificar tais coisas desse modo só porque o entendimento humano ainda (isso mesmo, AINDA) não as alcançaram? Pois, como vimos, em tempo, os avanços científicos podem trazer à luz fenômenos, outrora, extraordinários. Não seria ultrapassado demais fazermos tal classificação só por não termos as respostas logicamente estruturadas? E, por último, quem disse que os homens dominam ou são conhecedores de todas as leis da natureza? Já que não nos damos conta disso, se Tales pudesse olhar para o homem moderno, certamente diria: - o mito persiste.
